For Dona Encrenca

Julho 13, 2009 at 12:56 am (Dona Encrenca) ()

Aaíiiii, quero você aqui:

aaa

 Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces

Por que nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto

No entanto, tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida.

 

Eu sinto que meu gesto existe e o teu gesto é minha voz, a tua voz.

Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado

Quero que surja em mim como a fé nos desesperados

Para que possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada

Que ficou na minha carne como um nódoa do passado.

 

Eu deixarei tu irás e encostarão a tua face em outra face

Teus dedos enlaçarão em outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada

Mas tu não saberás que quem te colheu foi eu

Porque eu fui o grande íntimo da noite

Porque eu encostei a minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa

Porque os meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço

E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.

 

Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos

Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir

E toda as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas,

Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz eternizada.

 

Se as coisas são inatingíveis…ora! Não é motivo para não querê-las…

Que tristes os caminhos se não fora a mágica presença das estrelas

O que interessa mesmo não são as noites em sim; são os sonhos!

Sonhos que o homem sonha sempre.

Em todos os lugares, em todas as épocas do ano dormindo ou acordado. 

(VINÍCIUS DE MORAES – AUSÊNCIA)

Comente